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Starmer e Zelensky fortalecem a cooperação Reino Unido-Ucrânia com nova parceria em defesa e drones

O acordo visa desenvolver capacidades “contra a proliferação de sistemas militares de baixo custo e alta tecnologia”

O Reino Unido e a Ucrânia reforçam a cooperação estratégica com uma nova parceria em defesa e tecnologias militares avançadas. O acordo foi assinado na reunião em Downing Street entre o primeiro-ministro britânico, Keir Starmero presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenskye o Secretário Geral da OTAN, Marcos Rute. O acordo visa desenvolver capacidades “contra a proliferação de sistemas militares de baixo custo e alta tecnologia”, em particular drones, que são cada vez mais centrais nos conflitos contemporâneos, explicou o governo britânico numa nota divulgada após a assinatura do acordo. Segundo Starmer é necessário agir “em perfeita harmonia com parceiros e aliados” para garantir a segurança “no país e no estrangeiro”. “Os drones, a guerra electrónica e a rápida inovação no campo de batalha são agora centrais para a segurança nacional e económica”, acrescentou, destacando que, apesar da crise no Médio Oriente, “o foco deve permanecer na Ucrânia” porque “não podemos perder de vista” o apoio a Kiev e “Putin não pode ser aquele a beneficiar” de outros conflitos.

No centro do acordo estava a Declaração Conjunta sobre a Indústria de Segurança e Defesa, que combina a experiência operacional ucraniana e a base industrial britânica para a produção e fornecimento de drones e tecnologias inovadoras. Londres vai também financiar um novo centro de excelência em inteligência artificial no Ministério da Defesa ucraniano, com um investimento de 500 mil libras (cerca de 578 mil euros), para desenvolver capacidades avançadas no terreno. O Reino Unido, por sua vez, beneficiará das “lições aprendidas” de Kiev, num modelo de cooperação bilateral considerado “win-win”. No seu discurso no parlamento britânico, Zelensky agradeceu a Londres pelo apoio “desde o início” do conflito, sublinhando que entre os ucranianos, a confiança no Reino Unido está “entre as mais altas” e “absolutamente merecida”. “Quando os ucranianos falam sobre a Grã-Bretanha, sabem que podem confiar”, disse ele, acrescentando que “juntos salvamos muitas vidas e podemos salvar muitas mais”. O presidente destacou ainda como a guerra abriu uma nova fase global: “O mundo entrou numa nova era: a era dos drones e da inteligência artificial”, na qual as armas se tornarão “ainda mais letais” porque “agirão mais rapidamente do que qualquer ser humano”.

Kiev pretende colocar à disposição dos seus aliados as competências desenvolvidas no terreno, oferecendo sistemas de defesa baseados em equipas de interceção, radar e cobertura acústica capazes de “garantir proteção” mesmo contra ataques em grande escala. Zelensky indicou que tais tecnologias também poderiam ser utilizadas “em bases militares em Chipre” e, de forma mais geral, na Europa e no Golfo, sublinhando que “este é o tipo de fortalecimento que oferecemos e que poderá em breve ser necessário em toda a Europa”. Ainda segundo o ministro da Defesa britânico, John Healey, a experiência militar da Ucrânia “está a contribuir para o fortalecimento da segurança europeia”, enquanto “o eixo de agressão entre a Rússia e o Irão” torna ainda mais urgente o desenvolvimento de inovação e capacidades comuns. Healey também reiterou o objetivo político de Londres: “Estou determinado a fazer de 2026 o ano do fim desta guerra”.

Finalmente, durante a reunião, os líderes discutiram os esforços para uma paz “justa e duradoura” na Ucrânia e o papel da Coligação dos Dispostos – da qual Londres faz parte – na reconstrução de Kiev, bem como a pressão das sanções a manter sobre Moscovo. No final da reunião, Zelensky emitiu um alerta sobre a segurança global, alertando que a evolução das ameaças não conhece fronteiras: “Se o mal vencer, a evolução da guerra cruzará todas as distâncias da Terra. Nenhum oceano ajudará”. Um desafio que, segundo Kiev e Londres, exige uma resposta coordenada e tecnologicamente avançada para antecipar os conflitos do futuro.

Beatriz Marques
Beatriz Marques
Como redatora apaixonada na Rádio Miróbriga, me esforço todos os dias para contar histórias que ressoem com a nossa comunidade. Com mais de 10 anos de experiência no jornalismo, já cobri uma ampla gama de assuntos, desde questões locais até investigações aprofundadas. Meu compromisso é sempre buscar a verdade e apresentar relatos autênticos que inspirem e informem nossos ouvintes.