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Trabalhadores da EuroResinas convocam nova greve por aumentos salariais (atualizada)

Escrito por em 27 de Outubro, 2022

Os trabalhadores da EuroResinas, em Sines, decidiram em plenário avançar com um novo período de greve, a partir desta quinta-feira e até 10 de novembro, pelo ajuste na grelha salarial e aumento extraordinário de salários.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul (SITE SUL), o primeiro período de greve, que teve início no dia 12 e terminou às 23:59 de quarta-feira, contou com “uma adesão de 90%” dos trabalhadores.

Foi “uma das maiores adesões de sempre”, disse o sindicalista Jorge Magrinho, acrescentando que estes números “demonstram a necessidade de os trabalhadores lutarem por melhores salários”.

A adesão obrigou à “paragem total” de alguns “setores da fábrica”, na “maior parte do período” de greve, argumentou.

No entanto, num plenário no dia 18, “devido à falta de resolução, até à data, das propostas apresentadas”, os trabalhadores “decidiram avançar com um novo pré-aviso de greve, que tem início às 00:00 desta quinta-feira e termina às 23:59 do dia 10 de novembro”, indicou.

Segundo o dirigente sindical, foi “a falta de respostas da empresa” que, durante o período de greve, “não quis sentar-se à mesa” com o sindicato “para resolver as reivindicações dos trabalhadores”, que “levou a este pré-aviso de greve”.

“Pretendemos que haja um ajuste da grelha salarial porque os novos trabalhadores entram para a empresa com 900 euros, quando os trabalhadores com mais de 20 anos ganham 1.040 euros”, especificou.

O sindicalista defendeu que “os trabalhadores com mais antiguidade” devem passar “para o nível 13, o que corresponde a 1.218 euros” mensais e que “os outros trabalhadores a montante e a jusante” devem ter “também um ajuste” salarial.

“A empresa diz que tivemos um aumento salarial, este ano, de 30 euros que foi negociado, mas a meio do ano fez ajustes nalguns setores de 150 euros, quando devia ter feito em todos os setores porque todos os trabalhadores precisam de um ajuste no salário”, criticou.

No plenário, os trabalhadores decidiram reivindicar um aumento salarial de 150 euros, “face ao aumento do custo de vida dos baixos salários praticados pela EuroResinas”.

Por seu lado, numa resposta por escrito, enviada à rádio M24 esta sexta-feira, a empresa lamentou a decisão dos trabalhadores avançarem com um novo período de 14 dias de greve, “demonstrando-se, mais uma vez, a falta de razoabilidade do sindicato e a sua vontade de criar instabilidade social”.

A administração reiterou a “dificuldade em compreender a postura do sindicato numa altura em que o processo de revisão salarial a aplicar em 2023 ainda não se iniciou, não existindo ainda nenhum processo negocial em curso”.

Os dados da empresa indicam que a “anterior paralisação”, que decorreu entre 13 e 26 deste mês, “contou com uma adesão média inferior a 15%”, considerando que se trata de “uma greve assente em muita rotatividade e totalmente em regime de ‘self-service'”.

A paralisação “[é] até oportunisticamente utilizada pelos colaboradores aderentes, uma vez que as poucas pessoas que aderem à greve optam várias vezes por realizá-la junto de fins de semana ou dias de folga semanal”, alegou.

Para a empresa, do Grupo Sonae Arauco, trata-se “de uma medida dolosa e desproporcional, uma vez que o sindicato tira partido do processo de funcionamento da empresa para alcançar uma (quase) paralisação global, em que os custos para os colaboradores aderentes são substancialmente inferiores aos custos resultantes para a empresa dessa paralisação global”.

Além de reforçar o compromisso de continuar a “cumprir o acordo salarial em vigor até ao final do ano”, a administração da EuroResinas disse esperar que “seja ainda possível alcançar a desconvocação desta greve, no melhor interesse dos colaboradores e do futuro da empresa”.

A paralisação abrange os cerca de 80 trabalhadores da EuroResinas – Indústrias Químicas, que produz resinas sintéticas e está situada no Complexo Industrial de Sines.

Esta unidade industrial dedica-se ao fabrico de resinas sintéticas à base de formaldeído, papel impregnado e ao comércio de metanol.

 


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