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Viagem de Vasco da Gama é “fio condutor” de projeto de neuroeducação numa escola de Santo André

Por a 25 de Outubro, 2019

A viagem de Vasco da Gama à Índia é “o fio condutor” de um projeto-piloto que inclui alunos da escola básica n.4 de Vila Nova de Santo André,  que quer desenvolver novas competências de aprendizagem.

 

De âmbito nacional, o projeto, envolve alunos da turma A da Escola Básica n.º4 de Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, e uma equipa da associação “Plano Nacional de Neuroeducação”, criada pelo neuropsicólogo Góis Horácio, coordenador da Unidade de Neuropsicologia do Hospital de Egas Moniz, em Lisboa.

O trabalho, que procura estimular os mais novos para “aprenderem a aprender”, baseia-se numa metodologia que “cria estímulos significativos aos alunos”, com o objetivo de “melhorar o seu desempenho académico e curricular”, explicou o presidente da associação “Plano Nacional de Neuroeducação”, André Batista.

“Através das ciências neurológicas, psicológicas e da educação compreendemos que a experiência emocional é fundamental para o processo de neuroaprendizagem. Por esse motivo, a metodologia neuroeducativa procura chegar aos alunos através de estímulos discrepantes que permitem motivá-los para as aprendizagens”, explicou.

Esta abordagem vai permitir “captar a atenção dos alunos” refere o responsável, considerando ser “fundamental na formação das crianças”, uma vez que “permite desenvolver competências para assimilar e consolidar a informação, desenvolver o critério da decisão e a capacidade para acrescentar, em vez de replicar conhecimento”.

A viagem marítima de Vasco da Gama à Índia, e a relação do navegador com o concelho de Sines foi “o ponto de partida” do projeto-piloto, que arrancou, no último ano letivo, com a turma da professora Cristina Pereira, composta por 21 alunos, entre os 8 e os 9 anos de idade, tendo como meta conhecer Vasco da Gama “no espaço e no tempo”.

“Esta turma foi escolhida por apresentar um comportamento desajustado dentro da sala de aula com agressões físicas e verbais. Ao longo do ano, tentei agrupar e flexibilizar todo o programa do 3.º ano para, a partir daquele tema, unir todos os conteúdos ao nível da educação”, indica a docente do agrupamento de escolas de Santo André.

A professora, que leciona há mais de três décadas no ensino básico, conseguiu agrupar o programa definido pelo Ministério da Educação, “explorar” a história do navegador português, e transmitir os conteúdos programáticos das disciplinas de Português, Matemática, Estudo do Meio, Apoio ao Estudo, Expressões, Educação Física e Inglês.

Na sala de aula tudo mudou, desde o sumário, designado por “Diário de Bordo”, aos conteúdos que passaram a ser transmitidos de “uma forma diferente” para “captar a atenção dos alunos” envolvendo-os em tarefas que, em simultâneo, desenvolviam a sua capacidade de raciocínio.

Associando disciplinas como Português, Estudo do Meio e Matemática, a professora, que acompanha estes alunos desde o 1.º ano de escolaridade e com problemas de indisciplina, explorou a alimentação dos marinheiros, as especiarias, o retrato físico e psicológico dos navegadores, as simetrias, o corpo humano, os adjetivos, o plural e o singular, numa lógica de interdisciplinaridade.

“Fomos visitar a cidade de Sines, no âmbito da cidadania, e a estátua de Vasco da Gama, para estudar a ilustração ou pintura, a caracterização dos tripulantes [alunos] e do comandante [professora]. Quando estudámos a vida de Vasco da Gama introduzimos a década, como se fazem os séculos e construímos a árvore genealógica”, exemplifica.

Em expressão dramática “simulámos um ataque de piratas”, acrescentou a docente que este ano está ainda mais motivada “para dar início à viagem” que a armada do navegador Vasco da Gama empreendeu até à Índia.

“Vamos estudar o corpo humano e para a viagem temos de estar em forma, tomar banho, preparar os alimentos e a roupa. Vamos completar o “mapa mundo”, aprender o que é uma legenda, e a assinalar os oceanos, os continentes e os países de língua portuguesa”, acrescenta.

Entre as várias atividades previstas, a docente, que utiliza igualmente técnicas de relaxamento e de “mindfulness” na sala de aula, pretende ensinar técnicas de construção de um astrolábio de papel, uma luneta com rolos de papel, baús com caixas de ovos, pipas com latas de salsichas e molas.

“Por vezes diziam que me esquecia de pôr os sinos para os acalmar e para fazerem o trabalho mais relaxadamente”, recorda a professora, reconhecendo uma melhoria no rendimento e comportamento dos seus alunos.

“Ao nível das ideias e dos textos houve uma melhoria porque falamos muito sobre a vida dos marinheiros e das pessoas naquela altura. Quanto ao comportamento melhorou de tal forma que às vezes nem percebiam que estavam a tratar do projeto e ficavam admirados quando entendiam a associação das matérias ao tema geral”, afirma.

O projeto não se esgota este ano e, segundo o presidente da associação “Plano Nacional de Neuroeducação”, o objetivo passa por continuar “a acompanhar estes jovens”, na transição para o 2.º ciclo, e envolver mais professores e novas turmas do 1.º ciclo do agrupamento de escolas de Santo André.


Opinião do Leitor

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