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Secretária de Estado do Ambiente diz que é preciso “encontrar modelos de gestão” da água

Por a 25 de Maio, 2021

A secretária de Estado do Ambiente, Inês Costa, defendeu hoje que é preciso “encontrar modelos de gestão” da água que “equilibrem resiliência, eficiência e adaptabilidade de planear e adaptar” para melhor gerir este recurso.

“Portugal faz parte dos 26 países em risco direto de seca extrema, associado às alterações climáticas. A procura por água irá, a médio prazo, a nível global, exceder a oferta”, disse a governante referindo-se “não só” ao consumo de água à população como aos setores da agricultura e da industria que “irá significar maior sobrecarga em cima destes sistemas”.

A secretária de Estado do Ambiente falava durante a sessão pública comemorativa dos 20 anos da empresa Águas de Santo André (AdSA) que decorreu hoje na Estação de Tratamento de Água (ETA) de Morgavel, no concelho de Sines.

“Ao contrário da energia ou da mobilidade, onde é claro para todos para onde queremos ir, no que diz respeito à água, ao saneamento e aos resíduos, nem sempre essa vontade de mudar é assim tão clara para os cidadãos, mas também para as empresas”, sublinhou.

Para a governante, os serviços “essenciais” do ambiente são “ainda encarados como um custo que importa diminuir a qualquer preço, quase que como uma obrigação e que tem de sempre existir um fundo comunitário ou nacional que resolva parte dos investimentos que são necessários”.

“Não nego a necessidade desse apoio, mas não podemos utilizar” esse argumento “para desvirtuar o valor que o serviço deve ter junto dos cidadãos e das empresas e por essa via a necessidade de planear e de investir”, acrescentou.

Dando como exemplo, os municípios “que não cobrem com a tarifa, os custos associados a intervenções na sua rede”, a governante admitiu ser “algo que temos de perceber e intervir”.

Sobre a escassez de água, a secretária de Estado do Ambiente entende que deve existir uma “maior justiça no esforço de todos os utilizadores para a eficiência e suficiência, incluindo os maiores consumidores como seja a agricultura e a industria”.

“Não desistimos dessa nossa visão. sabemos que há barreiras que temos de transpor, entidades que temos de sensibilizar para a importância do serviço. Ainda gostaríamos de ver a colaboração a estreitar-se e mais agregações e parcerias a surgirem”, admitiu a governante aludindo para o Plano de Eficiência Hídrica do Alentejo.

Este documento regional, que inclui os planos sectoriais em curso, “vai ser uma peça muito importante para a gestão da água na região no presente e no futuro”, sublinhou.

“Esta região em particular irá sofrer uma grande transformação em muito pouco tempo e nesse contexto é importante compreender de que modo poderemos promover o mutualismo nas ligações e fluxos entre empresas, à semelhança do que já acontece noutros grandes pólos industriais europeus e o recurso onde se começa a fazer esse mutualismo não é na energia, mas sim na água”.

Considerando que Portugal “não pode cair na armadilha” de gerir este recurso “ao sabor da expansão das atividades”, colocando “pressão nas infraestruturas” de abastecimento, recolha e tratamento “que não foram projetadas” para esse crescimento “rápido e instantâneo”, a governante defende que é necessário planear e apostar numa “distribuição justa” da água.

“Isso tem de definitivamente entrar no ADN das regiões, nos dirigentes, na população, cadastros atualizados, contabilização correta dos investimentos, regulamentos de descarga, identificação e penalização de influências indevidas, planeamento, explorar novas tecnologias para resolver problemas bem identificados, a digitalização dos sistemas para lá dos contadores, a monitorização, a promoção de simbioses industriais”, foram alguns dos exemplos apontados pela governante.

 


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