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Regantes de Campilhas e Alto Sado alertam para situação de seca que se vive na região

Por a 18 de Setembro, 2020

A Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS) alertou hoje para a situação que se vive no perímetro de rega de Campilhas e Alto Sado, que desde 2016, está numa situação de défice hídrico no sequeiro e regadio.

O diretor-adjunto da ARBCAS, Ilídio Martins diz que toda a zona apresenta “um défice hídrico muito elevado”.

“Digamos que atingimos o máximo da seca no final do verão porque isto já é uma sequência de cinco anos de seca. Nesta altura, a seca é no regadio, é no sequeiro e toda a zona está numa situação de défice hídrico muito elevado, com as barragens vazias. Precisamos urgentemente que este inverno permita retomar a normalidade”, alertou.

A falta de chuva está a preocupar os responsáveis e a seca prolongada já obrigou ao cancelamento da rega dos campos nos últimos dois anos (2019 e 2020), com prejuízo para mais de 200 famílias e 3 mil hectares de potencial regadio.

“Nesta zona, Campilhas, Fonte Cerne e Alto Sado, ficou por regar, uma área de mais de 3 mil hectares e mais de 200 famílias afetadas por esta seca. As pessoas já têm passado por outras secas mas esta foi particularmente grave porque está a ser mais prolongada”, adiantou.

A albufeira de Campilhas, apenas tem 6,8% da sua capacidade e a albufeira do Monte da Rocha 8,9%, sendo a pouca água disponível para abastecimento público.

“O milho, o tomate, o arroz, os prados e as forragens que se faziam, foram substituídas por culturas pobres de sequeiro ou por baldios”, alerta a associação em comunicado.

Segundo a ARBCAS, no sequeiro, “a falta de água, mais do que visível é alarmante para quem aqui habita e muito mais para quem depende do setor agrícola para viver”.

“Há muito que não existe água na superfície. Primeiro secaram os barrancos, depois as ribeiras e agora o própria ria do Sado deixou de correr, secando mesmo os “pegos” que os mais antigos nunca viram sem água. Os poços há muito que secaram, os furos só têm “água salgada”. Fazem-se dezenas de quilómetros para procurar água para o abeberamento dos animais. É um vaivém diário de cisternas aos canais servidos pelo sistema de Alqueva”, lê-se no comunicado.

Perante este cenário, os responsáveis apontam o dedo ao Governo pelo abandono a que votaram esta região e os agricultores que “estão a definhar pelos efeitos de uma seca prolongada”.

Ilídio Martins defende a criação de gabinetes de crise, em articulação com as organizações locais, para acompanhar estas situações.

“Quando acontece este tipo de situações devia haver um gabinete de crise para acompanhar estes problemas que acontecem, felizmente, de 10 em 10 ou de 20 em 20 anos, que são as secas, da mesma forma que criam gabinetes quando há tornados ou outras coisas”, defende Ilídio Martins.

O responsável diz que as “pessoas sentem que estão desamparadas” e que “precisam de alguma esperança do futuro pelo menos de quem nos tutela que é a Agricultura”.

A associação de regantes com um perímetro de rega de seis mil hectares (os outros três mil são regados porque beneficiam de uma ligação ao Alqueva), gere cinco barragens, mas a principal é a do Monte da Rocha.


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