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Nova ETAR da Comporta vai tratar efluentes descarregados sem tratamento no estuário do Sado

Por a 29 de Janeiro, 2020

A construção da futura Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) da Comporta, no concelho de Alcácer do Sal, cuja conclusão está prevista para março de 2021, vai permitir tratar os efluentes que são descarregados sem qualquer tratamento no estuário do Sado.

De acordo com a empresa Águas Públicas do Alentejo (AgdA), que procedeu hoje à assinatura do contrato da empreitada de conceção/construção da futura ETAR da Comporta, o investimento de 1,9 milhões de euros, arranca no próximo mês de março.

“É um projeto com 10 anos com um forte impacto na comunidade, nas atividades económicas, nomeadamente, o projeto da dimensão da Herdade da Comporta e outros conexos, e para o ecossistema que merecia uma intervenção à altura”, referiu o presidente do conselho de administração da AgdA, Francisco Narciso.

O projeto, que conta com apoio de fundos comunitários, através do PO SEUR, vai permitir tratar a totalidade dos efluentes urbanos dos cerca de 550 residentes na localidade da Comporta, em Alcácer do Sal, que, durante a época alta, chega a atingir os 2.500 habitantes.

“Tínhamos esta população a descarregar os efluentes não tratados e não controlados, diretamente, para o estuário através de uma rede de coletores. Naturalmente que se trata de carga orgânica que o estuário ía tendo capacidade para digerir mas de facto é uma agressão grande”, explicou o vice-presidente da AgdA, João Silva Costa.

A obra, com um prazo de execução de 375 dias, estará concluída em março de 2021, altura em que se prevê que a ETAR, “ainda em fase de testes e ajustes”, possa “tratar os efluentes e resolver um problema que era há muito desejado”, acrescentou.

A futura estação está equipada com “um sistema de tratamento tecnologicamente avançado” que inclui tratamento primário, biológico e desinfeção adicional para a “produção de água para a reutilização e tratamento de lamas por desidratação”, refere a empresa do grupo Águas de Portugal.

“Estamos numa zona sensível daí a nossa preocupação de não despejar nada para o estuário. Numa zona de aquífero, vamos tratar o efluente a um nível tal que permite que a água seja infiltrada no solo. Por um lado, não vamos despejar no estuário do Sado e por outro, vamos recarregar o aquífero”, exemplificou o vice-presidente da AgdA.

Para fazer face ao aumento da população, devido aos investimentos turísticos previstos para a zona, o projeto prevê, no futuro, a ampliação da capacidade para um máximo de 10 mil habitantes e a “utilização da água, depois de tratada, para rega dos espaços verdes”.

Para o presidente da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, Vítor Proença, trata-se de “uma etapa muito importante” que permite avançar com um “investimento urgentíssimo que já deveria estar concluído”.

“Este investimento estava sinalizado há muitos anos, porque se trata de uma obra que faz muita falta, que só traz ganhos ao município de Alcácer do Sal e à freguesia da Comporta, em nome do ambiente”, frisou o autarca.

Em curso, desde novembro de 2019, está a construção do Sistema Intercetor e Tratamento de Águas Residuais da Comporta, um investimento de 830 mil euros, com um prazo de execução de 270 dias, que irá conduzir os efluentes gerados até à nova ETAR, envolvendo uma estação elevatória e 1,7 quilómetros de coletores.

A construção das duas infraestruturas representam um investimento total de 2,9 milhões de euros.


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