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LPN alerta para estado de conservação dos charcos temporários no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Por a 8 de Outubro, 2020

Apenas 12% dos 106 charcos temporários mediterrânicos, identificados pelo projeto LIFE Charcos, coordenado pela Liga para a Proteção da Natureza (LPN), no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), possuem um estado de conservação favorável.

“Se nada for feito pelas entidades responsáveis pela gestão deste território, a tendência é para este número continuar a baixar”, alertou a Liga para a Proteção da Natureza no ano em que o parque, considerado um dos mais importantes da rede nacional de áreas protegidas, celebra o seu 32.º aniversário.

Em comunicado, a LPN, assegura que para conservar este habitat, protegido pela diretiva 92/43/CEE, “é necessário condicionar algumas atividades em seu redor e realizar uma gestão ativa, nomeadamente pastoreio leve no verão e remoção de espécies arbustivas ou invasoras”.

“Este habitat não pode simplesmente ser deixado ao abandono porque isso significaria a sua degradação a longo prazo”, defende.

Segundo a LPN os charcos temporários mediterrânicos “estão associados a uma biodiversidade riquíssima por criarem condições favoráveis a um vasto leque de espécies de flora e fauna que possuem mecanismos e particularidades de sobrevivência muito distintos”.

“Foram identificadas cerca de 250 espécies de plantas (11 das quais com estatuto de proteção ou distribuição restrita), 13 espécies de anfíbios, várias espécies de micromamíferos, como o rato de Cabrera e o rato-de-água e 17 espécies de morcegos (algumas criticamente em perigo)”, acrescenta.

De acordo com a associação de defesa do ambiente, existe também “um grupo desconhecido que é inteiramente dependente” dos charcos temporários, como os crustáceos grandes branquíopodes.

“Nesta existem metade das espécies existentes em Portugal, entre as quais um endemismo como o camarão-girino (Triops vicentinus) e uma espécie muito rara de camarão-concha (Maghrebestheria maroccana) que foi registada num só charco”.

Recentemente foi também descoberta uma nova espécie de planta (Helosciadium milfontinum), pela Universidade de Évora, que sobrevive neste habitat, sendo “mais um dos vários endemismos e raridades que destacam a importância da preservação deste habitat único”, lê-se no comunicado.

Para a Liga para a Proteção da Natureza a monitorização de parâmetros biológicos e químicos dos Charcos Temporários Mediterrânicos pode ser “uma ferramenta importante para medir a situação ambiental do PNSACV, devido ao potencial deste habitat como bioindicador/sentinela, uma vez que algumas espécies são muito sensíveis a alterações”.

“É imperativo existir um plano de gestão e monitorização que seja efetivamente implementado e assegurar uma monitorização ambiental regular do estado de conservação dos habitats e das populações de espécies existentes nestas áreas da Rede Natura 2000”, concluiu.

A LPN é uma Organização Não Governamental de Ambiente, de âmbito nacional, sem fins lucrativos, com estatuto de Utilidade Pública, sendo a associação de defesa do ambiente mais antiga do país.


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