ESTÁ A OUVIR

Titulo

Artista

Background

Criação de Aliança Regional pela Água discutida em encontro em Odemira

Por a 16 de Outubro, 2021

A criação de uma Aliança Regional pela Água, em defesa da regeneração ecológica do sudoeste alentejano, está em discussão em Odemira (Beja), este fim de semana, num encontro com a participação de dezenas de entidades.

O 1.º Encontro pela Água, organizado por diversas associações e movimentos regionais com preocupações ambientais, decorre na Comunidade Tamera, em Relíquias (Odemira).

Na iniciativa, ativistas de vários pontos do país ”com trabalho desenvolvido na proteção da água e na regeneração de ecossistemas”, vão debater “a visão” da Aliança Regional pela Água, “num espaço de escuta, intercâmbio e apoio mútuo”, revelou a organização, em comunicado enviado à agência Lusa.

Já no domingo, realiza-se uma Marcha pela Água, que tem como objetivo “juntar todos os que se preocupam” com este recurso, “com a dignidade humana e com o futuro desta região”, segundo os promotores.

Com o encontro, os ativistas pretendem afirmar a sua “oposição a uma agroindústria abusiva que destrói e polui o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), consome os escassos recursos hídricos da barragem de Santa Clara e explora desumanamente dezenas de milhares de trabalhadores migrantes”.

“Temos a consciência de que, neste primeiro evento, não vamos conseguir formar já uma aliança, porque pretendemos realizar outros encontros e delinear linhas de cooperação”, explicou hoje à Lusa, um dos elementos da organização, Joel Barros, da Comunidade Tamera.

Segundo o responsável, até ao momento, já estão confirmados mais de 50 participantes de “muitas organizações, a maior parte regionais e outras nacionais”, entre elas o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA).

Em declarações à Lusa, Catarina Miranda, coordenadora do projeto Rios Livres do GEOTA, sublinhou que, uma vez criada, o objetivo da Aliança Regional pela Água é “opor-se aos abusos ecológicos e humanos” no sudoeste alentejano e “arranjar soluções” que impeçam a destruição “dos ecossistemas, dos ciclos hidrológicos e das comunidades locais”.

Com este pacto, as várias entidades vão dizer “um não claro à má gestão da água e às questões da mão-de-obra” na região e propor “soluções” que permitam a “regeneração”, em oposição “à degradação ecológica” deste território.

“Durante a última década, o sudoeste alentejano tem tido um crescimento desmesurado da agroindústria. A maior parte das empresas é multinacionais que produzem para exportação, com impactos muito importantes ao nível da degradação ecológica e da desertificação”, criticou.

Estas práticas “contribuem para a destruição e contaminação de vários habitats importantes dentro do PNSACV, com impactos muito grandes sobre os recursos hídricos da região”, acrescentou.

No domingo, a Marcha pela Água, arranca em Boavista dos Pinheiros, às 11:00, e segue até Odemira, ao longo do rio Mira, “num misto entre uma marcha ativista e uma experiência comunitária”, disse a organização.

A iniciativa termina com uma concentração no Jardim Sousa Prado, em Odemira, com intervenções, música e outras atividades.

Comunidade de Tamera, Eco-Comunidades da Planície, Fontes Vivas, GAIA – Alentejo, Afincerna, CLARA Lab, Climáximo, juntas de Freguesia de Relíquias e Luzianes-Gare, Movimento Juntos Pelo Sudoeste, S. Luís em Transição ou SOS Rio Mira são algumas das entidades organizadoras de ambos os eventos.


error: www.radiom24.pt