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COVID-19: Cerca de 100 alunos sem dispositivos para ensino à distância no agrupamento de escolas de Santiago do Cacém

Por a 10 de Fevereiro, 2021

Cerca de cem alunos do agrupamento de escolas de Santiago do Cacém “ainda não têm qualquer dispositivo” que permita o acesso ao ensino à distância, havendo um número elevado de estudantes com computador partilhado, denunciou hoje a Associação de Pais de Santiago do Cacém.

O regresso do ensino à distância, esta segunda-feira, trouxe novas preocupações para os responsáveis que lidam com as dificuldades dos alunos em aceder aos conteúdos ‘online’, por falta de computador, de telemóvel ou no  acesso à internet.

“O último ponto de situação que temos é que cerca de 100 alunos ainda não tinham qualquer tipo de dispositivo. O agrupamento está a tentar encontrar solução, principalmente, para os níveis mais elevados, deixando se calhar os mais pequenos, do 1.ºciclo, sem dispositivos. De qualquer forma ainda há alguns que não têm tablets e computadores e outros continuam a trabalhar em telemóveis”, explicou à rádio M24 a presidente da associação de pais de Santiago do Cacém, Célia Soares.

Trata-se, referiu, de uma “situação muito delicada que continua a não ter solução” e que, em relação ao primeiro confinamento “se agudizou”.

“Estão muitos mais pais em teletrabalho, há sítios em que não há sinal de internet e os horários escolares foram alargados, o que no caso de uma família com dois ou três filhos”, faz com que estejam “todos em aulas ao mesmo tempo, ligados à internet”, adiantou.

De acordo com a associação de pais, que cita números fornecidos, na segunda-feira, pela direção do agrupamento de escolas de Santiago do Cacém, há “103 alunos sem computador, 125 sem telemóvel, 198 com computador partilhado, 13 sem acesso à internet e 120 com internet limitada”.

“Acresce a estes números os alunos que se encontram em casa sem acompanhamento de adultos, ou com familiares que não têm condições de os auxiliar ou sem habitação e alimentação condignas”, sublinha.

Em São Bartolomeu “há crianças que estão sozinhas em casa ou que estão com pessoas que não têm competências para os ajudar, muitas vezes até a ligarem-se às plataformas de comunicação”, alertou a responsável defendendo que, nestes casos, “seja aplicado o mesmo regime dos filhos dos profissionais prioritários”.

Segundo o agrupamento de escolas, do Ministério da Educação “vieram apenas 27 computadores que foram distribuídos pelos alunos do secundário” do escalão A e B.

“O que a escola nos garantiu é que de alguma forma está a acompanhar a situação no sentido de passar material, neste caso fichas em papel, que são entregues na casa dos jovens ou que possam ir buscar à escola, tal como aconteceu no primeiro confinamento”, frisou.

A responsável diz ter “garantias de que o agrupamento está a conseguir diminuir este número dos 103 alunos que não têm computador”.

Perante esta situação, a associação de pais lançou um apelo nas redes sociais “a empresas, instituições e particulares, com o intuito de dar um contributo que minimize” os problemas que estes alunos enfrentam.

“Apelamos a todos aqueles que possam ter algum equipamento em casa e que não necessitem dele (computadores, tablets, smartphones) que o disponibilizem a estas crianças/jovens, pois é a única forma, neste momento, de poderem usufruir do ensino à distância, em pé de igualdade com os seus colegas”, lê-se no documento.

“O objetivo é chegar a zero alunos que não têm forma de contactar com a escola”, concluiu a presidente da associação de pais.

O agrupamento de escolas de Santiago do Cacém conta com um universo de cerca de 1.400 alunos de diversos graus de ensino da EB1 de Santiago do Cacém, Escola Frei André da Veiga, Escola Secundária Manuel da Fonseca, e Escolas Rurais de São Bartolomeu, Abela, Santa Cruz, Relvas-Verdes e Aldeia dos Chãos.

 

 

 


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