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COVID-19: Autarca de Odemira admite cerca sanitária se casos não diminuírem no concelho

Por a 6 de Abril, 2021

O presidente da Câmara Municipal de Odemira, José Alberto Guerreiro, fez hoje um balanço positivo da reunião com o primeiro-ministro mas admite a possibilidade de aplicar uma cerca sanitária se os casos de covid-19 não diminuírem no concelho.

Vista aerea de drone da vila de Odemira com o Rio Mira, Biblioteca Municipal

“As situações de risco em algumas atividades são bastantes, não só no domínio do comércio e serviços, mas também pela reabertura das escolas e porque a atividade agrícola tem aqui uma expressão muito forte, com muitos migrantes, alguns quase residentes e ambientados às regras, mas outros nem tanto”, frisou.

Ouvido pela rádio M24, após a reunião, por videoconferência, com o primeiro-ministro, António Costa, José Alberto Guerreiro, disse que os casos de covid-19 entre a população local, a maioria de famílias que estão identificadas e isoladas, “tendem a reduzir porque são situações controladas”.

Quanto à população migrante, já não tem “as mesmas certezas” porque já foram “detetados casos de indivíduos que deveriam estar em casa, por orientação da Saúde [Pública], mas continuavam a ir trabalhar”.

“Não temos a intenção de esconder esta realidade, antes pelo contrário. Queremos pôr a nu o mais rápido possível para quebrar as cadeias de contágio, atuar de forma ativa e ter, no futuro, uma situação mais tranquila”, afirmou.

Por isso, defendeu na reunião com António Costa e os restantes seis concelhos que registam mais de 240 casos de covid-19 por cem mil habitantes nos últimos 14 dias (Alandroal, Carregal do Sal, Moura, Portimão, Ribeira de Pena e Rio Maior) que Odemira “não deve ser penalizado naquilo que diz respeito às restantes atividades”.

A população migrante “conta como infetado” quando detetados neste território, mas “não contam como cidadãos residentes” quando é calculado o rácio de 120 infetados por cada 100 mil habitantes, criticou.

Caso o número de infeções pelo vírus SARS-CoV-2 não diminua, o autarca admite a possibilidade de aplicar uma cerca sanitária no concelho “por uma questão de consciência cívica”.

“Se não formos capazes de conter esta pandemia de forma voluntária, em que todos possam contribuir para que os números desçam, não vejo alternativa. Neste momento, vemos uma preocupação grande de alguns, que temem que a sua vida possa ficar condicionada, e um relaxamento de outros”, condenou.

Apesar de preocupado com a atual situação,  mostrou-se satisfeito com o reforço da fiscalização e das inspeções às condições sanitárias de habitações temporárias de obras ou colheitas, anunciado no final da reunião pelo chefe do Governo.

“Nesta reunião, a generalidade dos autarcas defendeu ainda o uso obrigatório de máscara na via pública ou em lugares públicos em todos os concelhos onde se ultrapassem os valores dos 120 por cada 100 mil habitantes. Isto é essencial, não há razão para exceções e as coimas devem ser aplicadas”, reforçou.

De acordo com a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) até à próxima sexta-feira, em Odemira, vão ser realizados cinco mil testes aos trabalhadores agrícolas, nacionais e migrantes, das empresas associadas da Associação de Horticultores, Fruticultores e Floricultores e Lusomorango.

Além da testagem destes trabalhadores, o município anunciou que, ainda esta semana, será instalado um centro de testagem fixo em Odemira, onde a população poderá deslocar-se para realizar, de forma gratuita, o teste à covid-19.


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