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COVID-19: Autarca de Milfontes preocupado com recuo nas medidas de confinamento teme reflexos no turismo

Por a 19 de Abril, 2021

O presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, vê com preocupação o recuo nas medidas de confinamento e teme os reflexos negativos que esta situação poderá provocar no setor do turismo.

“Muita preocupação porque a nossa atividade base é o turismo e, neste momento, as empresas turísticas estão a passar por enormes dificuldades provocadas por este retrocesso no confinamento. Também temos muitos trabalhadores agrícolas a residir em Milfontes porque não há residências no concelho de Odemira suficientes para receber tanta gente”, afirmou Francisco Lampreia em declarações à rádio M24.

Com o aumento do fluxo de trabalhadores migrantes, durante a época de colheitas, o autarca critica a falta de medidas preventivas que permitiram conter as cadeias de transmissão.

“Estamos a ver que não existem medidas preventivas. As pessoas não são testadas, são colocadas dentro de habitações às dezenas, em espaços muito confinados. As cadeias de transmissão são enormes, não só pela forma como vivem, mas também pela forma como trabalham em espaços fechados, como as estufas, e às centenas”, criticou.

Francisco Lampreia teme que as autoridades percam o controlo da situação prejudicando o setor turístico.

“Isto pode descontrolar-se e a agricultura que acaba por indiretamente ser uma atividade que está a gerar esta situação pode vir a prejudicar o turismo, porque a agricultura continua a funcionar sem restrições”, acrescentou.

Para o autarca é urgente que “de uma vez por todas sejam colocados contentores habitacionais nas Quintas para que as pessoas possam ser alojadas em condições humanas e de salubridade. São contentores com boas condições de espaço e ar condicionado adequados a estes trabalhadores temporários”.

“Nesses locais têm condições melhores do que nas habitações, onde a sobrelotação é mais do que evidente, com uma casa de banho para 20 a 30 pessoas e com toda a pressão que causa nas habitações circundantes, bairros e vizinhanças. É uma situação difícil de gerir que tem provocado revolta junto da população”, sublinhou.

Além da criação de condições para receberem os trabalhadores migrantes, o presidente da junta defende uma atenção especial por parte do Governo à população migrante que entra em Portugal.

“É preciso que o nosso Governo ponha os olhos na migração que está a vir para cá porque muitas das vezes trata-se apenas de legalizar pessoas que vêm para Portugal com o objetivo de mais tarde de irem para outros países da Europa e, assim, terem uma forma de entrar no Espaço Schengen”, alertou.

De acordo com Francisco Lampreia “boa parte destes migrantes que não trabalham” estão ligados “a esquemas com empresas de prestação de serviços que acabam por não dar trabalho” a estas pessoas que “vêm para Portugal com essa promessa, mas depois não têm trabalho, passam dificuldades, e os documentos são confiscados”.

Nos últimos anos, a junta de freguesia “já teve de apoiar mais de uma centena de migrantes que não estavam a trabalhar e com situações de carências alimentares”, denunciou o autarca que entende ser necessário “olhar de outra forma” para esta situação.

“Isto está a provocar problemas no território, também ao nível do turismo, porque ter centenas de pessoas pelas ruas sem trabalhar, a passar dificuldades não é um bom panorama para o turismo que nos visita. Pensamos que o nosso Governo não está a olhar devidamente para esta situação, porque estamos a falar de pessoas que são vitimas de tráfico humano, em situações difíceis de exploração”, observou.

O autarca defende ainda que “estas pessoas devem ser testadas à entrada no território”, principalmente no atual contexto de pandemia de covid-19.

“As empresas deviam, no mínimo, fazer um teste rápido para que estes trabalhadores sejam isolados em caso de virem infetados com covid-19 e isso não está a ser feito” comprometendo “o verão” que “será fechado para o turismo”, e resultando “no encerramento de muitas empresas que são a base da economia” de Vila Nova de Milfontes.

Por registarem, pela segunda avaliação quinzenal consecutiva, uma taxa de incidência de casos de covid-19 acima de 240 por 100 mil habitantes em 14 dias, os concelhos de Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior não só não avançam como recuam para a fase anterior do plano, ou seja, regressam à primeira etapa.

Assim, voltam a estar encerradas as esplanadas, lojas até 200 metros quadrados (m2) com porta para a rua, ginásios, museus, monumentos, palácios, galerias de arte e similares, assim como está proibida a realização de feiras e mercados não alimentares e a prática de modalidades desportivas de baixo risco.

Além destas restrições, os residentes de Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior não podem circular para fora do município, proibição que se aplica diariamente, a partir de hoje e durante os próximos 15 dias, ainda que estejam previstas exceções, como trabalho ou assistência a familiares.
“Dessas exceções não faz parte nem ir às compras a outro concelho, nem ir ao restaurante a outro concelho”, sublinhou o primeiro-ministro, António Costa.


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