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Comunicação social e regional considera apoios do Governo insuficientes – debate

Por a 21 de Abril, 2020

Os diretores dos órgãos de comunicação social (ocs) regional e local consideraram hoje que as ajudas do Governo são insuficientes para ajudar a ultrapassar os efeitos negativos causados pela pandemia de covid-19.

No debate, promovido pela rádio M24, em que participaram os diretores da rádio M24, jornais O Leme e O Setubalense, todos foram unanimes em dizer que os problemas e as dificuldades financeiras estão a asfixiar a comunicação social local e regional.

Na sexta-feira o Governo anunciou apoios de emergência aos media, no âmbito do impacto da covid-19, onde se inclui “15 milhões de euros na aquisição antecipada de espaço para publicidade institucional, através de televisão e rádio, em programas generalistas e temáticos informativos, e através de publicações periódicas de informação geral”, anunciou a ministra da Cultura, Graça Fonseca.

O acesso aos apoios do Governo, anunciados recentemente, no valor de 15 milhões de euros “não servem para o jornal O Leme porque as micro empresas que ainda fazem a publicidade no jornal pagam para o ver sair em papel. Aquilo que são as ajudas do Estado, a maior parte é dar empréstimos que não podemos contrair neste momento porque já vivemos no fio da navalha e não vamos conseguir pagar. Ou nos dão alguma coisa de apoio a fundo perdido, caso contrário não aceitamos”, disse o padre Abílio Raposo, diretor do jornal O Leme.

O responsável do quinzenário, que optou por não sair em papel, durante o mês de abril, para controlar os efeitos económicos da pandemia, desconhece qual vai ser o futuro do jornal da Paróquia de Santa Maria, de Vila Nova de Santo André.

“Não sei se vamos suportar a continuidade, vamos fazer todos os esforços e tentar implementar algum plano de subsistência. As grandes empresas poderiam apoiar-nos mais e é vergonhoso que algumas empresas não apoiem as rádios e os jornais locais. Temos uma grande empresa que nos continua a ajudar que pode ser uma mais-valia nesta fase porque a publicidade é pouca e barata e as receitas vão dando para pagar aos colaboradores”, referiu.

O Setubalense, que vive uma situação semelhante à generalidade dos ocs portugueses, sofreu uma quebra muito significativa nas receitas, por via da redução do volume de publicidade e da procura do jornal em banca.

“A procura até não desceu mas a dificuldade está na circulação do jornal, tendo em conta a abrangência do Setubalense que procura chegar aos 13 concelhos do distrito, esbarra no encerramento de boa parte dos pontos de venda. A preocupação neste momento é como conseguir o volume de receitas suficiente para fazer face às despesas que correspondem a quase 50 mil euros por mês”, sublinhou Francisco Alves Rito, do jornal Setubalense que lançou uma campanha de crowdfunding.

O diretor que “está muito agradecido” com a solidariedade dos leitores e da comunidade diz que, até ao momento, a campanha conseguiu reunir cerca de 12 mil euros”.

De acordo com a medida do Governo “embora já venha tarde para muitos meios de comunicação”, Francisco Alves Rito, lamenta que “pouco se conhece” dos apoios e, a título de anuncio, não há um documento formal que “permita fazer uma apreciação”.

“Esta é uma crise dentro da crise e a covid-19 só veio expor a precária condição em que a comunicação social já andava há anos e foi preciso o presidente da republica trazer o tema para a agenda política para os partidos aceitaram falar sobre isto. A primeira grande duvida em relação a esta medida é saber se são medidas que vão chegar aos jornais ou se são apenas para as televisões”, acrescentou.

O Estado “tem sido muito pouco amigo da comunicação social e não reconhece o nosso papel para a democracia e para a comunidade, basta ver que até há pouco tempo não havia um secretário de estado da comunicação social, que os ministérios que tutelam a comunicação social têm sempre linhas de apoio para distribuir pela área da cultura e zero para a comunicação social, como se tivesse um papel menos relevante que os agentes culturais e até é caricato o facto de termos um secretário de estado da comunicação social que primeiro é do cinema, depois é do audiovisual e só depois é que é dos media”, criticou.

“É preciso chamar à responsabilidade o poder político porque a função da comunicação social é demasiado importante para estar entregue a um modelo de financiamento exclusivamente assente nas leis de mercado, da procura e da oferta”, reiterou.

O funcionamento permanente dos emissores, os gastos com a energia elétrica e o cumprimento das obrigações fiscais foram alguns dos compromissos enunciados pelo diretor da rádio M24 que no início do estado de emergência avançou para o lay-off de metade dos trabalhadores e recorreu ao teletrabalho.

“Qualquer ‘lay-off’ tem repercussões em muitas áreas e traz muitas limitações e dificuldades porque se muitas vezes esse trabalho tem que ser feito, quer dizer que aquelas pessoas que ficam ao serviço são mais sacrificadas porque têm de fazer o serviço dos outros. A M24 está a desenvolver um trabalho de reestruturação há quase 2 anos, estamos em crise há uns seis anos, e esta pandemia apanhou -nos de surpresa e as adaptações tiveram de ser muito rápidas”, referiu Alexandre Nunes.

A ministra da Cultura anunciou a disponibilidade de uma verba de 15 milhões de euros, “um valor triplicado devido ao covid-19, e o que é facto é que nem sempre chega às rádios locais, nem jornais, a divisão às vezes não acontece. Estamos hoje a dia 21 e até agora não tenho noticia de alguma coisa que tenha cá chegado em termos de apoio”.

“Vamos ver como é que [os apoios] vão ser distribuídos. Posso dizer que no relatório publicado pela ERC [Entidade Reguladora para a Comunicação Social], a campanha que decorreu em dezembro de 2018 e de 2019 apenas foram distribuídos por apenas dois órgãos, a TSF e a rádio M80, e isto leva-nos a pensar se desta vez os valores serão distribuídos equitativamente”, criticou.

O diretor da rádio M24 criticou igualmente “o desinvestimento das grandes empresas nacionais” nas rádios e jornais locais “que apostam em rádios, televisões e jornais nacionais, e temos algumas no nosso distrito com fábricas e que muitas vezes o seu papel social não abrange a proteção dos seus órgãos de comunicação social”.

 

 

 


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