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Cirurgia na urgência do hospital de Beja “em perigo de encerrar”

Por a 2 de Setembro, 2020

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) denunciou que a cirurgia no serviço de urgência do hospital de Beja funciona “abaixo dos mínimos de segurança” e está “em perigo de encerrar” se não forem contratados mais médicos.

Em comunicado enviado à agência Lusa, o SIM refere que “as equipas de cirurgia” na urgência do hospital de Beja, que é gerido pela Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), “estão a funcionar abaixo dos mínimos de segurança para cidadãos e médicos”.

Contactada pela Lusa, a presidente do conselho de administração da ULSBA, Conceição Margalha, disse que “não é verdade” que as equipas estão a funcionar “abaixo dos mínimos de segurança”.

“O que acontece é que há dias, que são pontuais e raros, em que não há o terceiro cirurgião de serviço numa equipa – o de urgência interna -, mas é algo que acontece pontualmente”, frisou, explicando que a lei obriga a que cada equipa de cirurgia de urgência seja composta por três cirurgiões – dois na urgência geral e um na urgência interna.

Segundo o SIM, os cirurgiões do hospital de Beja estão “exaustos” e “já ultrapassaram há muito as 150 horas de trabalho extraordinário, o que é agravado” pela pandemia de covid-19 e pela idade dos clínicos.

“Dos seis chefes de equipa” de cirurgia do hospital, “quatro têm mais de 50 anos e dois mais de 55 anos”, alega o SIM, referindo que os médicos com aquelas idades “já não são obrigados a fazer serviço de urgência e só a sua dedicação é que os motiva”.

“Apesar dos alertas dos médicos, o conselho de administração [da ULSBA] tem-se mantido insensível e incapaz de resolver o problema”, lamenta o SIM, referindo que “aconselhou os seus associados a apresentarem minutas de escusa de responsabilidade”.

O SIM “exige” que a administração da ULSBA “contrate médicos”, porque, “de outra forma”, a cirurgia no serviço de urgência “terá de encerrar e referenciar os doentes para os [outros] também sobrecarregados hospitais da região”.

Conceição Margalha reconheceu que a equipa de cirurgiões do Serviço de Cirurgia do hospital de Beja é “envelhecida”, mas “tem respondido às necessidades da população” e, por isso, “não tem havido problemas” e, “até ao momento, não se colocou a questão” do encerramento da valência de cirurgia no serviço de urgência.

“Mas não posso garantir que no futuro seja igual”, porque “se os médicos [do Serviço de Cirurgia] com mais de 50 ou 55 anos se recusarem a fazer urgência, como a lei lhes permite, teremos esse problema, mas, neste momento, não temos”, frisou a presidente do conselho de administração da ULSBA.

De acordo com a lei, os médicos com mais de 50 anos podem deixar de fazer serviço de urgência à noite e os com mais de 55 anos podem recusar fazer qualquer serviço de urgência, disse a responsável.

Segundo Conceição Margalhaatualmente, a equipa do Serviço de Cirurgia do hospital de Beja é composta por 10 cirurgiões que fazem parte do quadro da ULSBA, sendo que seis têm mais de 55 anos e os restantes quatro menos de 50 anos, e por sete médicos internos da especialidade de cirurgia, dois dos quais já terminaram a formação de especialidade e deverão ficar a trabalhar no hospital.

A cirurgia de urgência do hospital tem seis chefes de equipa, sendo que dois têm mais de 55 anos e quatro menos de 50 anos.

“Os médicos com mais de 55 anos não são obrigadas a fazer urgência, mas, até ao momento, têm-se dedicado ao serviço e pautado pelo não encerramento [da cirurgia no serviço de urgência] e por responder às necessidades da população, frisou a presidente a ULSBA.

Conceição Margalha disse ter “esperança” que através dos dois próximos concursos de contratação, um a decorrer e outro a lançar em breve, “entrem novos profissionais que venham melhorar as condições de trabalho existentes”.

ULSBA tem feito “todos os esforços para contratar médicos, exemplo disso são os vários concursos que têm sido abertos para trazer pessoas novas para as equipas”, mas “sem sucesso”, e “muitos dos internos não ficam no hospital de Beja depois de terminarem a formação de especialidade”.

“A dificuldade em contratar médicos não é só da ULSBA, várias instituições de saúde do interior do país debatem-se com este grande problema e com a carência de recursos humanos e fazemos o nosso melhor para responder às populações e, realmente, é à custa da sobrecarga dos profissionais e da sua dedicação aos serviços”, rematou Conceição Margalha.


Opinião do Leitor

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