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Central Termoelétrica de Sines encerra hoje e processo de desativação pode demorar cinco anos

Por a 14 de Janeiro, 2021

A central termoelétrica de Sines encerra esta quinta-feira estando previsto que se iniciem agora os processos de desativação dos equipamentos, que devem demorar cerca de cinco anos. 


A licença de produção caduca esta quinta-feira e amanhã dá-se o encerramento definitivo. Ao dia de hoje, “a central já terá queimado todo o stock de carvão remanescente”, segundo fonte oficial da EDP.

“Estes trabalhos inserem-se numa primeira fase de descomissionamento, a que se segue o desmantelamento da infraestrutura, num processo que deverá durar sensivelmente cinco anos”, refere a mesma fonte.

Em atividade desde 1985, a central a carvão da EDP contava atualmente com 107 trabalhadores diretos, aos quais foi proposto “um conjunto de opções”, desde, por exemplo, “a passagem a reforma ou pré-reforma ou o acesso a oportunidades de mobilidade dentro do grupo EDP”.

Assim, “a EDP iniciou contactos em Setembro do ano passado, como planeado após o anúncio do fecho, para avaliarem em conjunto as diferentes opções”. Segundo a empresa, o processo “tem decorrido com total colaboração e dentro dos prazos”.

A prioridade é o de “garantir que os compromissos da empresa com os seus 107 trabalhadores são integralmente cumpridos e no melhor interesse de todos”.

Questionada sobre informação mais detalhada sobre o futuro dos trabalhadores, a EDP esclareceu que “essa informação ainda não está disponível, dado que o processo de conversação ainda decorre”.

No caso dos trabalhadores indiretos, remete esclarecimentos para as “empresas prestadoras de serviços com a quais têm contratos”.

Em relação ao futuro das infraestruturas, a EDP adianta que “continua em estudo a possibilidade de desenvolver projetos que possam aproveitar parte das infraestruturas existentes naquela localização”, como a “produção de hidrogénio verde”, que é uma “possibilidade”.

Autarcas querem alternativas para os trabalhadores que vão para o desemprego

O presidente da Câmara Municipal de Sines, Nuno Mascarenhas, considerou que “face à conjuntura existente” o fecho da central “não foi o mais indicado” e que esta poderia “laborar mais algum tempo, até porque o país continua a importar energia”.

“Foi uma decisão tomada pela EDP, mas temos de nos concentrar naquilo que é o mais importante e encontrar alternativas para os trabalhadores que direta ou indiretamente exerceram funções durante muitos anos nesta central”, sublinhou o autarca socialista à Lusa, realçando que a autarquia está a trabalhar neste sentido com a EDP e o Instituto do Emprego e Formação Profissional.

Nuno Mascarenhas mostra-se igualmente expectante quanto ao futuro da indústria nesta região, uma vez que “existem projetos que poderão ter uma importância tremenda na absorção desta mão-de-obra”. Acredita que irá “surgir um novo ciclo” na região.

Com cerca de 50% dos trabalhadores da central a residirem no concelho vizinho de Santiago do Cacém, a preocupação do autarca Álvaro Beijinha recai nos “trabalhadores que vão para o desemprego”.

“Desde a primeira hora que manifestámos essa preocupação porque esta questão deve ser vista a dois níveis: a primeira são os trabalhadores com vínculo direto à EDP que, à partida, terão os seus direitos assegurados, do a segunda são os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços, com vínculo precário”, frisou.

No entender do autarca, “se a opção de encerrar a central a carvão de Sines é com o objetivo maior de ter um ambiente melhor, se calhar o País tem de pagar esse custo e assumir de facto as questões sociais relativamente a estes trabalhadores”, defendeu.


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