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Aumenta número de animais acolhidos no Centro de Recuperação de Santo André

Por a 22 de Outubro, 2020

O Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Santo André (CRASSA), localizado no concelho de Santiago do Cacém, registou este ano “um grande aumento de animais acolhidos”, mais do dobro da média dos últimos dois anos.

Desde o início deste ano e até à segunda semana de outubro, o centro, gerido pela associação ambientalista Quercus, recebeu 266 animais feridos, mais do dobro da média dos últimos dois anos.

“Em 2018, recebemos 128 animais; em 2019, tivemos um número muito parecido (131), mas este ano registámos um grande aumento, tendo já contabilizado 266 animais”, explicou a bióloga Carolina Nunes.

Para a coordenadora do centro, que integra a Rede Nacional de Centros de Recuperação de fauna, sob a tutela do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), isto “deve-se bastante à pandemia, não só por as pessoas estarem mais atentas ao que se passa à sua volta, mas também pelo encerramento do centro de recuperação de Lisboa”.

“O CRASSA passou a receber os animais que não podiam ser acolhidos no centro de Lisboa, que encerrou durante algum tempo, devido à pandemia, mas tivemos também muitos particulares que encontraram os animais feridos perto das suas habitações e desenvolvemos algumas campanhas de sensibilização que ajudaram a divulgar o nosso trabalho”, justificou.

Os animais que chegam ao Centro de Recuperação, a maioria crias de aves de rapina, como águias, corujas ou mochos, e cegonhas, apresentam “inúmeras debilidades”.

“A maioria são crias de aves, ou porque os pais abandonam o ninho, ou porque o local onde o ninho está construído é danificado, acabam por sair precocemente, ficam debilitadas e desorientadas e ingressam no nosso centro”, explicou.

São “casos relativamente simples de recuperar porque os animais chegam apenas fracos e debilitados”. Nesse caso, é necessário “ter a certeza de que, sem se habituarem demasiado à presença humana, crescem ao ponto de conseguirem voar, abrigar-se e alimentar-se de forma autónoma para regressarem à natureza”.

As fraturas também são responsáveis pelo grande número de animais tratados no CRASSA, muitas vezes “encontrados nas bermas das estradas com patas e asas partidas”, sendo que o período de recuperação “varia entre uma semana e três meses”, consoante a gravidade dos ferimentos.

“Quando a lesão não resulta em danos internos, são libertados em poucos dias. Quando sofrem fraturas ficam internados entre dois e três meses e se necessitarem de fisioterapia podem ficar mais tempo”, referiu.

Os animais são recolhidos pelo Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, pelos vigilantes da natureza do Instituto Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e por particulares.

Segundo a bióloga “o que mais dificulta o trabalho dos centros de recuperação é o desconhecimento” por parte das pessoas que não sabem quais os procedimentos que devem adotar quando encontram um animal ferido.

“Para nós a sensibilização é tão importante como a recuperação dos animais porque se as pessoas não souberem que autoridades devem contactar, que não devem alimentar os animais ou levá-los para casa, não conseguimos fazer o nosso trabalho”, notou.

Devido à pandemia, o CRASSA, que recebe animais dos distritos de Setúbal e Beja, viu limitada a “capacidade de receber estagiários nacionais e internacionais, voluntários e atividades de sensibilização”, optando por desenvolver ações de libertação de animais e de angariação de donativos para alimentação dos animais e aquisição de equipamentos.


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