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Associações Distritais e Regionais de Futebol Reclamam do Governo apoios para a Actividade Desportiva

Por a 23 de Fevereiro, 2021

Transcrevemos o comunicado conjunto das associações distritais e regionais de futebol que apelam ao governo para que enquadre a prática desportiva no plano de recuperação e resiliência:

 

ASSOCIAÇÕES DISTRITAIS E REGIONAIS DE FUTEBOL

CONSULTA PÚBLICA
PLANO DE RECUPERAÇÃO E RESILIÊNCIA

O Governo colocou em consulta pública o já esperado e desejado Plano de Recuperação e Resiliência
(PRR) com um valor de 13.900 milhões de Euros em subvenções, que vai permitir a realização de
reformas estruturantes, centrado em três grandes áreas temáticas: reforço da resiliência económica,
transição climática e digital, sendo considerado o instrumento fundamental para o desenvolvimento
de Portugal na atual década.
Após a análise do documento, as Associações Distritais e Regionais de Futebol (ADR´s) deliberaram
em reunião realizada em 20 de fevereiro de 2021, o seguinte documento.
Atendendo que:

a. Se tem verificado um grande empenhamento de todo o tecido desportivo nacional (Clubes
Associações Distritais e Regionais de modalidade, Federações, COP, CPP, CDP e Autarquias
Locais) na promoção da atividade física e principalmente do desporto, com resultados
excelentes ao longo de muitas épocas desportivas, que tem proporcionado um cada vez
maior reconhecimento internacional do país;
b. O setor do Desporto tem sofrido um enorme impacto com o aparecimento da pandemia
Covid – 19, provocado pela falta de público e a paralisação da atividade dos escalões de
formação, proveniente do deliberado em sucessivos Estados de Emergência, pelo Senhor
Presidente da República e a sua regulamentação pelo Governo, com a agravante de não ter
existido até ao momento qualquer apoio governamental;
c. Em relação à prática desportiva regular estão associados um conjunto muito vasto e variado
de outros setores importantes da economia portuguesa, que, por esta via, também estarão a
ser penalizados;
d. Os graves efeitos da pandemia já estão a provocar um deficiente rendimento desportivo
generalizado dos cerca de 600.000 atletas federados inscritos na época anterior, com
exceção dos atletas olímpicos e profissionais, tendo em conta a longa paragem das
respetivas competições (2 épocas);
e. As várias organizações internacionais, das quais destacamos o Parlamento Europeu, que
recentemente aprovou uma Resolução (B9 – 0115/2021, de 4 de fevereiro), em que
recomendam aos Estados a inclusão nos seus planos de recuperação pós-Covid-19 a
promoção do desporto, como forma de melhorar as políticas públicas de intervenção na
população;
f. A prática desportiva regular é essencial para a saúde dos cidadãos, pelo que é uma estratégia
transversal a várias áreas que não podemos desprezar em tempos como os que vivemos,
sendo válido, tanto para o desporto sénior, como para o desporto praticado pelos escalões
de formação, como um garante da defesa da saúde pública;
g. De uma forma inesperada, ao não se verificar a presença do desporto no PRR, estamos a
comprometer a evolução desportiva de milhares de praticantes, que aspiram chegar ao topo
da pirâmide desportiva. Algo que terá reflexo na qualidade e competitividade das nossas
Seleções Nacionais e dos nossos clubes de topo, ou seja, vamos comprometer o desígnio
nacional que a todos nos uniu de uma forma gratificante nos últimos anos;
h. No documento “Estratégia Portugal 2030” é indicado que o incentivo da prática da atividade
física, através do fomento do desporto e da formação desportiva em todo o ciclo de vida, é
uma estratégia prioritária intersetorial para promover a Saúde dos cidadãos, a par da
minimização dos fatores de risco, da alimentação saudável e da educação;
i. O documento também não valoriza a disciplina de Educação Física ao nível da Escolaridade
Obrigatória e do Desporto Escolar;
j. Em Portugal (2019) existiam cerca de 2,2 milhões de pobres, registando-se nas crianças o elo
mais fraco, com o valor de 22,3% (com maior impacto na faixa etária dos 12-17 anos). E são
precisamente as crianças que têm sido impedidas de praticar desporto, sendo, por isso,
fundamental e urgente a implementação de estratégias transversais onde se insere o
desporto.

As Associações Distritais e Regionais de Futebol não compreendem o critério aprovado e, por esta
via, manifestam o seu descontentamento, já que nos causa estranheza o facto do desporto não se
encontrar contemplado em tão importante documento, considerado fundamental para o
desenvolvimento de Portugal durante a atual década.
Esta nossa posição baseia-se no facto de, na realidade, esta decisão colocar em causa, de uma forma
decisiva, a sobrevivência da já debilitada atividade de muitas centenas de clubes e, assim, assistirmos
ao progressivo colapsar do tecido associativo desportivo do nosso País, com todas as consequências
dramáticas que isso implicará em termos de coesão territorial da nossa sociedade.
Os Clubes filiados nas Associações Distritais e Regionais de Futebol são os responsáveis pela
realização de milhares de jogos semanais, movimentando várias dezenas de milhar de cidadãos, que
proporcionam uma atividade semanal ao longo do ano, sendo considerado um setor de atividade
económica com grande capacidade de atrair investimento e uma boa fonte de receita fiscal para o
Estado.
Assim, tendo em conta o referido anteriormente, as Associações Distritais e Regionais de Futebol
solicitam ao Governo que seja tomado em consideração toda esta situação, já que as competições
distritais assumem um papel de relevo no desenvolvimento desportivo, mas também social e
económico das regiões e do país.
A este propósito não podemos deixar de aproveitar este momento para referir que com a não
inclusão do desporto no PRR se perde uma excelente oportunidade para:
1. Efetuar a Reabilitação e Modernização das instalações desportivas existentes nos Clubes,
Associações Distritais e Regionais de modalidade, Federações e Centros de Alto Rendimento;
2. Elaborar um Plano de Infraestruturas Desportivas inovador adequado à atual realidade das
necessidades da população;
3. Elaborar um Plano de Revitalização Financeira dos Clubes, ADR´s e Federações, onde se
incluirá a formação de agentes desportivos.
Por último, e tendo em consideração o atrás exposto, apelamos à consideração do Governo para que
a prática desportiva dos escalões de formação e dos seniores possa vir ainda a ser enquadrada em
parte, no âmbito de alguma das dimensões apresentadas, como é o exemplo da Transição Digital,
com os programas de formação de jovens e de adultos aprovados.
Para terminar, informamos que nos colocamos à disposição para dar todos os contributos
necessários e que se julguem oportunos, de modo a contribuir para a saída de Portugal da atual crise
o mais rápido possível.

20.02.2021

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A informação oficial apresentada no site da Associação de Futebol de Setúbal é a seguinte:

Imagem de capa meramente “ilustrativa”.


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