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Aldeia mineira do Lousal recebe cinco residências artísticas

Por a 15 de Fevereiro, 2020

A aldeia mineira do Lousal, no concelho de Grândola, vai receber ao longo do ano cinco residências artísticas, no âmbito de um projeto de artes visuais, que propõe combater os problemas sociais após o fim da exploração mineira.

O projeto “Extrai: Arte e comunidade em ação”, promovido pela Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense (SMFOG), resulta de uma candidatura à Direção-Geral das Artes (DGArtes), e envolve artistas da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

Em declarações à rádio M24 Luís Vital Alexandre, presidente da direção da SMFOG, explicou que as residências, que se centram nos cinco sentidos, “já estão a decorrer desde janeiro e prolongam-se ao longo do ano com o objetivo de criar novas dinâmicas e a fruição de pessoas levando a cultura até uma aldeia mineira que até há pouco tempo tinha acessos muito complicados”.

Desde o encerramento da mina, em finais dos anos 1980, a aldeia do Lousal “enfrenta sérios problemas socioculturais” com uma “população envelhecida” e uma “grande falta de coesão social e de oferta de emprego”, referem os promotores.

As cinco residências, no âmbito do programa, que é apresentado este sábado, no Centro de Ciência Viva do Lousal, vão debruçar-se sobre “a visão, o tato, a audição, o paladar e o olfato” e envolver “cinco artistas, um por cada residência, e uma equipa de produção que irá interligar e dar forma às suas ideias”.

Este projeto, que obteve um financiamento de 30 mil euros da DGArtes, e conta com o apoio financeiro e logístico do município de Grândola e da associação cultural OUTRA, propõe “trabalhar o papel social e cultural que a memória mineira e as suas organizações representaram e ainda significam para o imaginário da região” do litoral alentejano.

A primeira residência, sobre a visão, arrancou no mês de janeiro “com uma semana de trabalho exploratório e de contacto com a população do Lousal” envolvendo “a comunidade com uma performance registada em vídeo e o acompanhamento musical da filarmónica”.

De acordo com o responsável, “a residência sobre o tato vai envolver as crianças que frequentam o centro comunitário do Lousal e apelar à criatividade dos mais novos com o imaginário da mina como pano de fundo”.

Nas residências que vão explorar a audição e o paladar, os artistas convidados, propõem-se “explorar as paisagens sonoras” e os “sabores”, numa referência “aos almoços comunitários dos antigos mineiros”, explicou.

Já a residência sobre o olfato, adiantou, irá focar-se “nos cheiros do imaginário que pairavam no ar quando a mina trabalhava”.

Os trabalhos, que envolvem “uma povoação com claros problemas sociais fruto do fim da atividade mineira em 1988”, serão apresentados em dezembro deste ano.

“Após o verão vamos poder ver um resultado prático destas residências com as atividades que irão nascer das ideias dos artistas. Em dezembro, por altura da Festa de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros, o projeto culmina com uma apresentação final”, concluiu.

O projeto tem ainda como parceiros o Centro de Ciência Viva do Lousal, a Casa do Povo de Azinheira dos Barros – Centro Comunitário do Lousal e Junta de Freguesia de Azinheira dos Barros.


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